EV: saiba tudo sobre o Enterprise Value de uma empresa

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Um dos fundamentos para quem atua no mercado financeiro é saber avaliar quando um negócio vale o investimento ou não, e, para conseguir fazer este tipo de avaliação é importante ter o conhecimento sobre o valor real de uma empresa. O cálculo conhecido como Enterprise Value, ou EV, está entre as formas mais utilizadas para se chegar a este resultado.

Dessa forma, é natural que o conhecimento acerca do EV de uma empresa seja uma tarefa relevante para quem investe ou atua profissionalmente na área. Não à toa, é tema que está presente em exames voltados para certificação financeira, como é o caso do CFP.

O que é o EV

O Enterprise Value, em português Valor da Firma, é uma equação utilizada para se chegar ao real valor que um negócio possui, sendo que para isto são considerados três fatores. São eles:

  1. Ativos da empresa, isso é, caixa e patrimônio que o negócio possui;
  2. Cotações das ações da empresa que são negociadas, o seu valor de mercado;
  3. Passivos que um negócio possui, isso é, suas dívidas e compromissos a serem pagos.

Ou seja, o EV indica quanto custaria uma empresa, considerando a subtração de todos seus ativos, acabando com suas dívidas e descontando o seu caixa.

Portanto, é um dado de relevância para que profissionais da área, como o analista de investimentos, descubram se o valor pago por uma ação é justo se comparado com o valor da empresa.

Dessa forma, é natura que o entendimento da fórmula Enterprise Value seja um conhecimento importante para quem atua na área.

Fórmula Enterprise Value

Para se chegar ao EV de uma empresa é necessário realizar a seguinte equação:

  • EV = capitalização + dívida – caixa e equivalente – ativos não-operacionais

Para ficar mais claro, entenda como funciona cada um dos componentes desta fórmula:

  • Capitalização – Representa o preço única de uma ação da empresa que é negociado no mercado financeiro multiplicado pelo montante de ações que existem, assim chegando ao valor de mercado, ou market cap;
  • Dívida – Representa a soma das dívidas de curto e longo prazo da empresa. São considerados apenas passivos financeiros como empréstimos, financiamentos, entre outros;
  • Caixa equivalente – Representa o valor que a empresa possui em seu caixa após subtrair o valor referentes as despesas;
  • Ativos não-operacionais –  Representa os ativos que não interferem no funcionamento da empresa caso sejam vendidos. Nesto caso entram empréstimos, imóveis ociosos, participação em outras empresas, entre outros ativos.

Entendido isto, também é possível interpretar a fórmula do Esterpise Value da seguinte forma:

  • EV = (preço de uma ação x volume de ações existentes) + (dívida de vencimento em curto prazo + dívida de vencimento no longo prazo) – caixa da empresa e seus equivalentes – ativos não-operacionais a preço de mercado

Para ficar mais claro como se utiliza este cálculo, acompanhe o seguinte exemplo.

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Exemplo de utilização da fórmula

Uma empresa possui 10 milhões de ações negociadas na bolsa de valores, sendo que cada ação é negociada por um valor de R$10.

Este mesmo negócio possui uma dívida de vencimento no curto prazo de R$5 milhões e de R$10 milhões no longo prazo.

Além disso, este mesmo negócio possui R$20 milhões em caixa, enquanto seus ativos não operacionais representam um valor de R$10 milhões.

Assim, temos a seguinte equação:

EV = 100 milhões + 15 milhões – 20 milhões – 10 milhões

Portanto, pela fórmula do EV, temos que o valor real desta empresa é de R$85 milhões.

Formas de se utilizar o Enterprise Value

Entendido como se calcular o Enterprise Value, é necessário apontar as formas que existem para se utilizar este método, afinal, como citado anteriormente, o EV é útil para profissionais da área, como o analista financeiro, por exemplo.

Inicialmente, é necessário destacar que o Valor da Firma, é um método comum de valuation, ou seja, uma prática utilizada para dar valor a um empreendimento.

Dessa forma, é natural que este valor sirva como referência para construção de indicadores de avaliação de um negócio.

Entre os indicadores que o EV interfere, destaque para o EV/Ebitda.

Em suma, este indicador é a divisão entre o Enterprise Value e o Ebitda, lucro antes de impostos, depreciação e amortização.

Assim, este indicador é utilizado para realizar o cálculo do tempo que seria necessário para que o lucro operacional de um negócio pagasse os investimentos, ou seja, período para que o valor investido gere retorno financeiro.

Dessa forma, vale ressaltar que quanto menor o valor do Enterprise Value/Ebitda, mais rápido o investidor e a empresa verão retorno financeiro no aporte de capital realizado.

Ou seja, caso a empresa apresente este indicador baixo pode ser um sinal de investimento. Todavia, é necessário analisar outros indicadores antes de tomar a decisão de um investimento.

Por fim, vale destacar que este dado é muito utilizado para comparar empresas do mesmo setor, sendo útil para quem atua na área.

Limitações do Enterprise Value

Do mesmo modo que é relevante entender as vantagens de se utilizar o EV em uma análise, também é importante entender as limitações deste método.

Como é um cálculo que necessita do valor de mercado da empresa, o Valor de Firma só pode ser aplicado em empresas que tem seu capital aberto na bolsa de valores.

Outra limitação deste método é o fato de que sua fórmula é referente apenas ao período dos valores apresentados nos dados do balanço financeiro analisado para sua construção.

Assim, o EV não indica um valor absoluto de uma empresa, isso é, dependendo de período em que foi analisado, o resultado do Enterprise Value pode indicar um contexto financeiro diferente do real.

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Importância do EV para quem atua profissionalmente no mercado financeiro

EV: saiba tudo sobre o Enterprise Value de uma empresa

Por ser uma forma de realizar o valuation de um negócio, o EV ganha importância para profissional que atuar no mercado financeiro.

Dessa forma, é fundamental que ele entenda como é realizado o cálculo para se chegar ao seu resultado, as situações para utilizá-lo e suas limitações.

Afinal, o Enterprise Value é uma forma que este profissional pode utilizar para encontrar bons negócios no mercado, além disso, entender se está pagando um preço justo por uma ação.

Dois fatores fundamentais para quem deseja ter sucesso em sua carreira na área.

Portanto, caso o profissional da área busque sua independência financeira por meio de suas atividades no mercado financeiro, o domínio do EV é um passo fundamental nesta jornada.

Guilherme Almeida
Guilherme Almeida
Bacharel em Economia e Especialista em Finanças Corporativas e Mercado de Capitais pelo Ibmec-MG. Mestrando em Estatística pela UFMG, atua como professor, palestrante e porta voz das áreas de economia e finanças, tendo concedido mais de mil entrevistas para os principais meios de comunicação. Atualmente, leciona matérias ligadas à Economia e ao Mercado Financeiro em cursos preparatórios para certificações financeiras, além de ser o Economista-Chefe do departamento de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG).

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