Produção enxuta: o que é, quais os objetivos e vantagens?

Produção enxuta: o que é, quais os objetivos e vantagens?
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Devido a alta competitividade do mercado, um ponto necessário atualmente durante um processo de fabricação de produto é evitar o desperdício. Para isso, pode ser aplicada a metodologia de produção enxuta.

A ideia de produção enxuta foi difundida através do Sistema Toyota de Produção, e estabelece uma série de boas práticas que, entre outros pontos, visam entregar ao cliente exatamente aquilo que ele precisa.

O que é produção enxuta?

Produção enxuta, também chamada de Lean Manufacturing, é a elaboração de um produto evitando todos os tipos de desperdícios, visando a melhoria contínua.

O Lean Manufacturing surgiu depois da Segunda Guerra Mundial, no Japão, em um momento em que o país precisava se reinventar.

Assim, foi analisada uma série de desperdícios presentes no Lean e que comprometem a produção.

Se tornou necessário, então, combater os oito desperdícios do Lean para reduzir a utilização excessiva de recursos, fazendo tudo correto na primeira vez.

As faltas de aproveitamento, por sua vez, são:

  1. processamento impróprio;
  2. excesso de produção;
  3. armazenamento de insumos, matéria-prima, produtos intermediários e produtos finalizados em excesso;
  4. transporte dispensável;
  5. movimentos desnecessários;
  6. defeito no produto e, consequentemente, retrabalho;
  7. alto tempo de espera a cada processo, caracterizado pela inoperância de funcionários, máquinas e outros recursos; e
  8. baixo conhecimento intelectual e de habilidades.

Somados, estes fatores atrapalhavam a produção, e para evitá-los foi criado o sistema de produção enxuta.

Quais os princípios que regem esta metodologia?

Ao falar sobre o conceito de produção enxuta, é importante citar as filosofias que regem esta técnica, sendo elas:

  • o cliente deve vir em primeiro lugar;
  • as pessoas são os recursos de maior valor dentro de uma empresa;
  • deve ser feita, e mantida, a melhoria contínua dos processos de produção;
  • o foco deve estar onde a transformação de um produto acontecem de fato.

Agora, para seguir estas premissas, se torna necessário focar nas necessidades do negócio.

Afinal, apenas manter o foco na aplicação das ferramentas dificilmente irá gerar os objetivos esperados.

Mas, para alcançar resultados positivos, se torna necessário fazer uso da logística enxuta que, entre outros pontos, aborda distribuição enxuta e sincronização enxuta.

Todos estes pontos se encontram dentro do modelo de gestão dentro do Sistema Lean, que visa identificar atividades que geram valor para os clientes.

Como funciona essa metodologia?

Para alcançar o que este tipo de metodologia diz como necessário para evitar desperdícios, a Toyota estabeleceu a chamada produção puxada, ou empurrada.

Essa ação tem como base a elaboração de um produto conforme um planejamento de vendas adequado, o chamado PCP (Planejamento e Controle de Produção). Ele é feito conforme o que a empresa analisa que será vendido.

Feito isso, o PCP divide os lotes de produtos conforme as ordens de produção, chegando à fase de produção de fato. Aqui, os setups de produção são reduzidos e os materiais são armazenados.

O passo seguinte da atividade deste sistema de produção Lean é a venda dos produtos, fazendo com que o estoque seja reduzido. Assim, entende-se que o planejamento de vendas é o controlador do funcionamento da produção como um todo.

Porém, cabe ressaltar que a empresa deve possuir conhecimento sobre a necessidade de algum item em específico, principalmente caso ele corra o risco de faltar no mercado se não for produzido.

E essa necessidade se dá à medida em que normalmente os produtos só voltam a ser elaborados caso o estoque dos pontos de venda chegue em pontos críticos.

Qual o objetivo dessa metodologia?

De forma geral, entende-se que o objetivo da metodologia enxuta de produção é o de eliminar, ou então minimizar, quaisquer atividades que não agregam valor ao produto final.

Além disso, existem outras finalidades as quais norteiam esse sistema, sendo eles:

  1. aumentar a percepção de valor por parte do cliente;
  2. reduzir tempo de entrega de produtos; e;
  3. eliminar todo e qualquer tipo de desperdício.

Para isso, a produção enxuta Lean Manufacturing faz uso de uma série de ferramentas que trazem benefícios para a gestão.

Sendo assim, cabe à empresa definir qual será utilizada de acordo com as necessidades que a instituição possui, aplicando-a após a decisão.

Quais as vantagens e desvantagens da produção enxuta?

Assim como ocorre em outras ferramentas e metodologias de gestão da qualidade, podem ser elencadas vantagens e desvantagens da produção enxuta.

Sendo assim, é importante ter conhecimento sobre ambos os pontos para descobrir a relação de custo x benefício que esta forma de produção que altera o sistema Lean possui.

Por um lado, temos as vantagens competitivas geradas por essa estratégia de produção.

Essa se dá justamente pela operação eficiente e eficaz que determinada empresa possui devido à vontade de fazer melhor do que qualquer concorrente no mercado.

Para se destacar dessa forma, a empresa precisa: fazer certo, fazer rápido, fazer com pontualidade, mudar o que está sendo feito e, por último, fazer barato.

Assim, seguindo estes cinco princípios, a empresa consegue cinco benefícios, sendo eles respectivamente:

  • maior qualidade no produto;
  • velocidade de produção;
  • aumento de confiabilidade para com os clientes;
  • flexibilidade de produtos.

Além disso, um último ponto positivo conquistado através deste sistema de produção, quando falamos em termo de competitividade de mercado, é a vantagem de custos.

Afinal, com uma produção feita mais rápida e com menor desperdício, a empresa se torna mais propensa a diminuir os gastos que ela possui para confeccionar determinado produto.

Assim, perdendo menos dinheiro durante o processo, a empresa pode lucrar mais com a venda do artefato em questão.

Quais os pontos de atenção para este sistema de produção?

Mesmo com os benefícios gerados pela cadeia enxuta de produção, podemos elencar alguns pontos de atenção também, mas não necessariamente estes são caracterizados como “desvantagens”,

O primeiro deles é a restrição do uso deste modelo de produção por alguns tipos de indústrias. A indústria alimentícia, por exemplo, depende de matérias-primas “vivas” para manter sua produção.

Este estilo, por si só, trabalha sob fluxo empurrado, ou seja, independente da venda de leite ao consumidor, a vaca não deixará de produzir matéria-prima.

Somado a esse ponto, temos:

  • necessidade de ter processos de fabricação estáveis e confiáveis, de modo a atender a necessidade do cliente quando forem requisitados;
  • necessidade de treinamento e capacitação de operadores envolvidos, de modo que trabalhem segundo os padrões de trabalho e cultivem a cultura contra desperdícios;
  • cadeia de fornecimento bem alinhada às implementações da unidade, haja vista que fornecedores só poderão enviar materiais em lotes pequenos, à medida que solicitados pela fábrica.

Quais as diferenças entre produção em massa e enxuta?

Por fim, separamos as diferenças entre produção em massa e produção enxuta, a fim de que fique mais fácil de serem entendidos ambos os pontos.

O primeiro é um termo que define a produção em larga escala de produtos, todos eles padronizados por meio de linhas de fabricação em massa.

Este é um método de produção muito disseminado uma vez que permite grandes taxas de produção por um trabalhador ao mesmo tempo em que torna possível a distribuição dos produtos em preços baixos quando há demanda. Quando não há, os produtos podem ficar “encalhados”

Já o segundo termo, por sua vez, se trata de uma alteração na logística Lean criada pela Toyota inicialmente a fim de evitar os oito desperdícios presentes nessa forma de produção.

E para este sistema, porém, os lotes de produção são pequenos, o que possibilita uma maior variedade de produtos. Para realizar essa produção menor, o aconselhado é reduzir o tempo com setup.

Porém, a empresa deve buscar a melhora constante para reduzir cada vez mais tempos de manutenção, gerando maior flexibilidade e gerando, cada vez, mais uma produção enxuta.

Diego Souza
Diego Souza
Diego Souza é Engenheiro de Produção, especialista em Gestão de Processos. Atua em indústrias na área de Excelência Operacional há 7 anos, com experiência em treinamentos e orientações de líderes de projetos com foco em resultados tangíveis. Tem formação como Lean Six Sigma Black Belt e utiliza ferramentas quantitativas e qualitativas de forma prática no dia a dia para suportar a tomada de decisão. No Certifiquei, tem como missão difundir os métodos de solução de problemas para contribuir com a formação profissional dos alunos, auxiliando-os alcançar um novo nível em suas carreiras.

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