Circuit Breaker: conheça o mecanismo de proteção da B3

Circuit Breaker: conheça o mecanismo de proteção da B3
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A Bolsa de Valores contém mecanismos que são responsáveis pela proteção de investimentos e que evitam a perda no mercado de ações. Um desses mecanismos é o Circuit Breaker.

Esse mecanismo é essencial para os momentos de volatilidade na sociedade que causam instabilidade excessiva nos investimentos. O Circuit Breaker foi criado em 1980 e usado poucas vezes desde então, mas quando é ativado significa que a situação é preocupante.

 

O que é Circuit Breaker?

O Circuit Breaker é um mecanismo de paralização de negócios na Bolsa de Valores quando o mercado está em um momento crítico de crise, temos ou problemas políticos e instabilidade, o que afeta as negociações e a bolsa apresenta queda constante.

No caso da B3, a Bolsa brasileira, esse mecanismo é acionado quando o índice Ibovespa (o principal da Bolsa) cai mais de 10% se comparado ao fechamento do dia anterior.

Ou seja, o Circuit Breaker tem como objetivo principal proteger e trazer tranquilidade em um momento de alta volatilidade no mercado financeiro.

Esse mecanismo, de forma prática, suspende todas as ordens de vendas automáticas, as chamadas stop loss. Sendo assim, caso o investir queira realmente vender seus papéis, eles devem submeter novamente os ativos para a venda.

Outra função do circuit breaker é psicológica. Alguns investidores entram em pânico ao ver suas ações caindo de valor e tendem a agir por impulso. A pausa estipulada pela Bolsa também é um momento de repensar, se acalmar e conseguir racionalizar os próximos passos.

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Regras do Circuit Breaker na Bolsa

Na Bolsa de Valores Brasileira, a B3, o Circuit Breaker pode ser ativado em três diferentes momentos de problemas que são considerados graves e, por isso, as negociações param. As regras principais são:

  • Se a queda no Ibovespa atinge 10% se comparada ao fechamento do dia anterior, as negociações na Bolsa de valores são suspensas por 30 minutos no horário do pregão;
  • Ao retornar as negociações, se as perdas atingirem o patamar de 15% em relação ao fechamento do dia anterior, as transações são interrompidas por 1 hora;
  • Se as duas primeiras paralizações na Bolsa não forem suficientes para conter ou acalmar o mercado, e a Ibovespa manter a desvalorização e essa taxa chegar a 20%, há uma nova paralização e a B3 define o momento de retorno das negociações.

Importante ressaltar que o Circuit Breaker não pode ser acionado na última meia hora do pregão. Ou seja, é um movimento que acontece ao longo do dia e nunca no final do expediente. Sendo assim, é importante entender o que significa o circuit breaker e não se apavorar diante da situação.

Quando foi criado?

Circuit Breaker: conheça o mecanismo de proteção da B3

O Circuit Breker foi criado após o crash na Bolsa de Nova York em outubro de 1987 (dia também conhecido como Black Monday). Isso porque o índice do mercado norte-americanos caiu 508 pontos, o que representa uma queda de 22,6%.

Essa queda percentual foi apenas e um dia e considerada muito alta pelo período de tempo em questão.

Assim, o FED (Federal Reserve), que funciona como o Banco Central na regulação do mercado estadunidense, criou o Circuit Breker com o objetivo de que os investidores tenham um tempo para reflexão e análise das negociações diante de incertezas do mercado.

Portanto, todas as bolsas de valores aderiram o circuit breaker como um mecanismo de defesa em momentos instáveis no mercado financeiro. Até porque os eventos internacionais refletem na maioria das economias no mundo.

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Fatos que resultam em Circuit Breaker no Brasil

O Circuit Breker é acionado com a finalidade de amortecer e rebalancear as compras e vendas no mercado financeiro, uma vez que elas se tornem desequilibradas.

Assim, quando o mercado vende muito significa que é um período de incerteza para o país ou por conta de algum fato no mundo que tem o poder de impactar grandes economias.

Um exemplo que ajuda a entender como funciona o circuit breaker é o da pandemia, por exemplo, quando o vírus da Covid-19 se mostrou um agente pandêmico, as bolsas ficaram instáveis e poderia ser uma razão para um Circuit Breker caso a queda permanecesse constante.

E isso traduz o pensamento do investidor: se ele enxerga os valores das ações em declínio e resolve vender as suas, isso cria um efeito dominó e uma reação que resulta na queda constante e, possivelmente, em um circuit breaker.

Por isso, o Circuit Breaker é um mecanismo que protege o mercado de uma queda livre. Com a pausa nas negociações, é o tempo para o mercado se acalmar e voltar a analisar com mais racionalidades os dados e possiblidades.

O resultado, quando esse mecanismo é ativado, é justamente que a queda seja amenizada e quando voltar o pregão o mercado possa se reequilibrar diante das instabilidades e retornar às taxas normais de negociações.

O que fazer quando é ativado?

Se você é investidor deve estar se perguntando o que fazer em um momento de circuit breaker na bolsa e se é seguro manter os investimentos e não correr para vende-los.

O primeiro passo nesse momento é respirar fundo e avaliar os investimentos em curto, médio e longo prazo. Se você tem um profissional que te auxilia nos investimentos é hora de ligar para ele e conversar sobre as possiblidades.

Mas é importante não tomar decisões precipitadas porque isso cria um efeito em cadeia e piora ainda mais a situação. Até porque as ordens de compra e venda automáticas serão canceladas então é importante manter os pés no chão.

Uma boa dica é mensurar o valor real de companhias que estão na sua carteira de investimentos em contrapartida do momento atual.

Se ela vale mais em momentos normais e apenas nessa instabilidade abaixou seu valor de mercado, a longo prazo ainda é um bom investimento. Isso significa que a empresa permanece no mesmo lugar e essa instabilidade não se compara ao seu valor original.

Para entender se você lida bem com a volatilidade do mercado e oscilações naturais da Bolsa, trace seu perfil de investimentos e criar uma carteira diversificada com opções que refletem seu perfil e suas metas.

Isso é importante porque, na Bolsa, é natural ter investimentos mais imprevisíveis e quem é acostumado com essa característica consegue lidar melhor com ela.

Mas para quem quer aprender lidar, a melhor forma é entender sobre o mercado, estudar e analisar as possiblidades e, se necessário, contar com um profissional que auxilie nesse momento com conhecimento técnico.

O Circuit Breaker, apesar de parecer assustador, existe para proteção de investimento e para acalmar os ânimos do mercado agitado. Deve ser visto com cuidado mas nunca ser um impedimento de investir.

 

 

 

 

 

Guilherme Almeida
Guilherme Almeida
Bacharel em Economia e Especialista em Finanças Corporativas e Mercado de Capitais pelo Ibmec-MG. Mestrando em Estatística pela UFMG, atua como professor, palestrante e porta voz das áreas de economia e finanças, tendo concedido mais de mil entrevistas para os principais meios de comunicação. Atualmente, leciona matérias ligadas à Economia e ao Mercado Financeiro em cursos preparatórios para certificações financeiras, além de ser o Economista-Chefe do departamento de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG).

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