SOFR: entenda como funciona uma das alternativas a LIBOR

SOFR
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No mercado financeiro, quando se fala em índice de taxa de juros utilizado para realizar empréstimos, a primeira coisa que vem à mente é a Libor. Entretanto, esse índice tende a ser substituído pela SOFR.

A SOFR, por se basear no mercado de recompra de títulos do tesouro dos Estados Unidos, visa demonstrar o risco a taxa de juros, porém, sem considerar o risco corporativo.

O que é SOFR?

O SOFR é o acrônimo para Secured Overnight Funding Rate, que pode ser definida com a taxa de juros que os bancos tendem a utilizar no momento de conceder empréstimos e derivativos denominados em dólar.

Nesse sentido, esse índice, que deve substituir o famoso LIBOR, London Interbank Offered Rate, tem como base as transações no mercado de recompra de ativos do tesouro norte-americano.

Essas transações são realizadas por investidores, os quais oferecem empréstimos overnight a bancos, representados nos seus ativos de títulos. O Federal Reserve (FED) de Nova York, iniciou a publicação dessa taxa em 2018.

Histórico da taxa de financiamento overnight com garantia (SOFR)

A criação da London Interbank Offered Rate, pela Associação de Banqueiros Britânicos no ano de 1986, visou simplificar preço das transações, além de ser um termômetro em relação a confiança depositada entre os bancos.

Importante salientar que LIBOR serve como benchmark para cerca de 300 biliões de dólares em contratos, sejam eles derivativos, obrigações e empréstimos.

O cálculo da London Interbank Offered Rate, além de ser uma métrica baseada no empréstimo de dinheiro entre os bancos, considera uma cesta de moedas:

  • Dólar;
  • Libra; 
  • Euro; 
  • Franco suíço;
  • Iene japonês.

Dessa forma, para compor a taxa, além da utilização das 5 moedas, o benchmark é comporto por sete prazos para todas as moedas, sendo eles um dia, uma semana, um mês, dois meses, três meses, seis meses e doze meses.


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O surgimento de novos benchmarks está intimamente relacionado a desdobramento da crise financeira de 2008, uma vez que o excesso de confiança em indicadores como o Libor foi um dos grandes responsáveis pela crise.

Soma-se a isso, o fato de que no ano de 2012 ocorreu um dos maiores escândalos financeiros, o qual teve a LIBOR como pano de fundo.

Banqueiros de inúmeras instituições financeiras de renome conspiraram entre si para manipular a taxa, fixando valores que os beneficiassem. Por esse motivo, iniciaram diversos questionamentos a respeito da validade da LIBOR.

Assim, com vistas a retomar a confiança dos agentes de mercado, ficou decido que até 30 de junho de 2023 a Libor seria substituída pela Secured Overnight Funding Rate.

O papel do SOFR no sistema bancário Norte Americano.

Do mesmo modo que o Banco Central do Brasil utiliza métricas para realização de swaps, muitas vezes para manter o dólar dentro de um preço estável, o sistema bancário norte americano utiliza benchmarks como a SOFR no dia a dia.

Assim, para que seja possível negociar derivativos, principalmente swap de taxa de juros, a SOFR se torna essencial para os agentes identificarem qual o risco da taxa de juros e, até mesmo, realizar operações especulativas.

Aqui, é essencial abrir um parêntese para exemplificar como funciona o swap de taxa de juros. 

O swap de taxa de juros, assim como todas as modalidades de swap, caracteriza-se pela negociação de um contrato onde as partes trocam pagamentos futuros de juros com uma taxa fixa por aqueles com juros de taxa flutuante.

E, é nessa taxa de juros flutuante que a Secured Overnight Funding Rate entra, visto que ela serve como benchmark das operações de recompra do tesouro norte-americano.

Apesar de ser comumente utilizada para a precificação de derivativos, ela tem forte impacto sobre os produtos de crédito ao consumidor e de dívida, como papel comercial, uma nota promissória sem garantia e com vencimento fixo.

Importante salientar que a troca da Libor pela SOFR tende a impactar somente as taxas de juros flutuantes, como são as relacionadas a créditos para habitação.  

Apesar de estar se tornando a principal taxa para empréstimos e derivativos com denominação em dólar, o movimento de substituição da Libor fez com que cada país busque uma taxa própria de referência, como a SONIA e EONIA.

Principais considerações a respeito da SOFR

Uma vez que se trata de uma nova metodologia que respaldará os empréstimos e as operações com derivativos, a migração da LIBOR para a Secured Overnight Funding Rate implicará em algumas considerações.

  • A transição poderá acarretar algum impacto em empréstimos que apresentam taxas variáveis, entretanto não tende a afetar aqueles a taxas fixas.
  • Apesar do intuito de ser a referência para todos os empréstimos e operações com derivativos, outros países buscam implementar suas próprias métricas.
  1. A SOFR se torna preferível a LIBOR na medida em que dados de transação do mercado de recompra do Tesouro, tendem a retirar possíveis interesses dos grandes bancos.

Existem diferenças entre a LIBOR e a SOFR

Antes da criação, utilização e divulgação da SOFR, o mercado tinha como benchmark a London Interbank Offered Rate, que é baseada no empréstimo de dinheiro entre os bancos sem que exista a cobertura no mercado monetário.

As diferenças entre as duas taxas não param por aí, visto que apesar de ambas indicarem os custos de empréstimo de curto prazo, enquanto a Libor se baseava em operações esperadas, a SOFR tem como insumo as transações realizadas.

Nessa linha, uma diferencial crucial e que impactará a substituição da Libor pela SOFR é o risco corporativo.

Assim, enquanto a Libor incorpora uma componente de risco corporativo ao utilizar os empréstimos entre bancos, a SOFR apresenta somente o risco soberano, isto é, as transações com títulos do tesouro norte-americano.

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Considerações Finais

Como mencionado no decorrer do artigo, a Secured Overnight Funding Rate surge como forma de acabar com desconfianças acerca da validade da Libor. 

Nesse sentido, além da criação e utilização da SOFR, alguns países desenvolveram e, dessa maneira, passaram a utilizar suas próprias métricas.

Exemplo disso é o que acontece no Reino Unido, onde a taxa que serve como benchmark é a SONIA, que se caracteriza por se basear na média do índice overnight em libras esterlinas.

Além do Reino Unido, o Banco Central Europeu e o Japão seguiram o mesmo caminho, adotando como taxas, respectivamente, a EONIA e a TONAR.

Ambos os indicadores, assim como a SOFR, têm como premissa os empréstimos overnight lastreados nas moedas de referência, como o Euro para a EONIA.

Guilherme Almeida
Guilherme Almeida
Bacharel em Economia e Especialista em Finanças Corporativas e Mercado de Capitais pelo Ibmec-MG. Mestrando em Estatística pela UFMG, atua como professor, palestrante e porta voz das áreas de economia e finanças, tendo concedido mais de mil entrevistas para os principais meios de comunicação. Atualmente, leciona matérias ligadas à Economia e ao Mercado Financeiro em cursos preparatórios para certificações financeiras, além de ser o Economista-Chefe do departamento de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG).

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