CRA: saiba sobre o Certificado de Recebíveis do Agronegócio

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O agronegócio é um dos segmentos da economia brasileira com maior destaque, sendo que possui um peso histórico em diferentes momentos da história do país. Assim, é natural que este seja um setor que atraia diversos investidores, incluindo pessoas do mercado financeiro, para isso existe o CRA.

Produto que tem ganhado espaço no mercado financeiro, o CRA é uma forma que o investidor da área tem para se expor ao setor aos ativos reais do agronegócio, afinal este tipo de negócio está direcionado a este segmento.

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O que é o CRA

O Certificado de Recebíveis do Agronegócio, ou CRA, são títulos de renda fixa emitido por empresas securitizadoras, sendo que estes ativos possuem lastros no mercado do agronegócio, isto é, com trabalhadores ou outros agentes que possuam atividades no segmento.

Dessa forma, o processo para entrada de CRA se inicia com a aquisição de crédito no agronegócio por parte de uma empresa securitizadora.

Posteriormente, este negócio coloca esse crédito, em formas de títulos, para ser negociado na bolsa de valores.

Assim, é possível que o investidor do mercado financeiro adquira títulos ligados ao setor do agronegócio, sendo que o CRA pode estar relacionado a três etapas da área. São elas:

  1. Produção;
  2. Comercialização;
  3. Industrialização.

Devido ao contexto histórico do agronegócio brasileiro, somado ao crescimento e evolução da área nos últimos anos, este se tornou um produto em expansão no mercado de capitais brasileiro.

Portanto, compreender sobre o seu funcionamento é importante para quem busca realizar investimentos neste tipo de negócio.

Como funciona o Certificado de Recebíveis do Agronegócio

Como introduzido anteriormente, os CRAs são certificados que só podem ser emitidos com empresas securitizadoras dos direitos creditórios do agronegócio.

Assim, estas empresas se tornam responsáveis por adquirir e securitizar estes tipos de negócio. Com isso, elas ainda são responsáveis pela emissão e colocação desses certificados no mercado financeiro.

Ou seja, este tipo de negócio tem como responsabilidade fazer este tipo de crédito se tornar um pacote de renda fixa para investidores do setor financeiro.

Além disso, os CRAs podem ser colocados em dois tipos de estruturas, o pulverizado e o corporativo.

No primeiro tipo, o pulverizado, o risco do investimento é atrelado a uma carteira de crédito composta por diferentes devedores, como, por exemplo, agricultores.

Enquanto, no tipo corporativo, o risco do investimento é ligado a um negócio que possui dívidas com a securitizadora.

O comum é que este tipo de negócio utilize a emissão da CRAs para financiar suas atividades, operação comercial, realizar sua expansão ou comprar novas máquinas.

Compreendido como funciona, é relevante entender como investir neste tipo de negócio.

Como investir

Inicialmente, o investidor deve ter conta em algum tipo de corretora credenciada para atuar no mercado financeiro.

Assim, após criar sua conta, o mesmo deve procurar onde estão localizados os Certificados de Recebíveis do Agronegócio na plataforma.

Após isto, basta escolher qual tipo de CRA comprará.

Ainda vale destacar que os CRAs podem ser comercializados por meio de ofertas primárias ou adquiridos no mercado secundário, isto é, através de transações com outros investidores do mercado.

Vantagens e desvantagens do CRA

Do mesmo modo que grande parte dos investimentos do mercado financeiro, existem vantagens e desvantagens ao se investir nos CRAs.

Dessa forma, o investidor deve ficar atento aos riscos e garantias do CRA e definir se este tipo de negócio se encaixa em seu perfil de investimentos.

Vantagens

Uma das principais vantagens dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio, que atrai diversos investidores, é o fato deste negócio se encaixar entre os investimentos isentos de imposto de renda para pessoa física.

Vale destacar que a iniciativa para deixar os CRAs isentos da cobrança de impostos foi uma política adotada pelo Estado, visando assim aumentar a entrada de investimentos no setor do agronegócio.

Os tipos de rentabilidade do CRA também pode ser considerado uma vantagem, especialmente pela existência de opções, que, no caso, são:

  • Pós fixada;
  • Pré fixada;
  • Híbrida.

Ainda é necessário reforçar que a rentabilidade dos certificados do agronegócio, por vezes, são mais elevadas na comparação com outros investimentos em renda fixa.

Por fim, mas não menos importante, existe a vantagem dos investimentos em Certificados de Recebíveis do Agronegócio estarem registrados na Central de Custódio e Liquidação de Títulos Privados (Cetip), o que faz com que este negócio tenha maior segurança.

Desvantagens

Talvez a principal desvantagem deste tipo de investimento seja a liquidez do CRA, especialmente no mercado secundário.

Dessa forma, ao buscar vender este tipo de ativo, o investidor pode encontrar dificuldades no momento de encontrar compradores.

Além disso, outra desvantagem dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio é o fato de que, normalmente, as aplicações mínimas são elevadas.

Assim, fazendo com que boa parte dos investidores não optem por este tipo de negócio. Não à toa, é mais comum que os CRAs sejam mais comercializados entre investidores institucionais.

Por fim, este tipo de certificado não possui garantia do Fundo Garantidor de Crédito, o que é visto como desvantagem.

Diferença entre CRA e LCA

Por se tratarem de investimentos ligados a empresas do setor, por vezes CRA e LCA são confundidos. Todavia, existem diferenças entre esses produtos.

Portanto, entender como funciona a Letra de Crédito do Agronegócio, ou LCA, é relevante para não se confundir estes dois tipos de investimentos, pois existem diversas semelhanças entre ambos, no qual é possível listar, por exemplo:

  • Isento de imposto.
  • Tipos de rentabilidade;
  • Aplicação mínima elevada;
  • Baixa volatilidade;
  • Rentabilidade favorável na comparação com outros investimentos similares.

Ou seja, existem semelhanças consideráveis nas estruturas das LCAs e CRAS.

Todavia, ainda que as LCAs também sejam títulos de renda fixa de crédito privado, existe uma diferença notória de emissor em relação aos CRAs.

Enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio, como visto anteriormente no texto, são emitidos por securitizadoras. As LCAs são emitidas por instituições financeiras.

Além disso, as Letras de Crédito do Agronegócio possuem garantia no FGC, instituição que garante o pagamento de até R$250 por CPF, para pessoas lesadas no negócio.

Em suma, ao se adquirir uma LCA, o investidor empresta dinheiro para que a instituição financeira realize investimentos no setor do agronegócio.

Já, no caso dos CRAs, o investidor estará emprestando seu capital diretamente ao produtor e empresário que atua no agronegócio.

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CRA e CRI

CRA: saiba sobre o Certificado de Recebíveis do Agronegócio

Como visto no tópico anterior, entender as diferenças que os CRAs têm para outros tipos de investimentos é útil para quem deseja realizar investimentos no setor.

Nesse sentido, também vale o destaque para outro produto semelhante aos Certificados de Recebíveis do Agronegócio, porém que são voltados para outra área da economia.

No caso, os Certificados de Recebíveis Imobiliários, ou CRIs.

O que são os Certificados de Recebíveis Imobiliários

Como o próprio nome indica, os CRIs são títulos securitizados de renda fixa, sendo que, diferente dos CRAs, este produto está diretamente ligado ao setor imobiliário, não ao agronegócio.

Dessa forma, esses são títulos que as securitizadoras colocam no mercado para conseguir capital para exercer algumas atividades no ramo imobiliário. Como, por exemplo:

  • Financiamentos para imóveis residenciais e comerciais;
  • Financiamento para incorporação e construção de empreendimentos imobiliários;
  • Gestão de contratos de longo prazo.

Portanto, este é um investimento útil para investidores que buscam ter retorno com produtos financeiros ligados ao setor imobiliário.

Além disso, os CRIs também são uma alternativa relevante entre empresários e empresas do setor que desejam captar verba para dar sequência aos seus projetos.

Contudo, é necessário ponderar algumas especificidades dos Certificados de Recebíveis Imobiliários.

Inicialmente vale apontar que os CRIs são negociados por um valor inicial alto, o que faz deste produto ser pouco negociado entre investidores pequenos ou como título de varejo.

Tal qual os CRAs, este é um título de pouca volatilidade, assim se tornando um produto com baixa procura no mercado secundário, mesmo com descontos.

Todavia, tal contexto não é necessariamente um alerta para o investidor, sendo que este pode ser uma opção interessante para investidores de longo prazo, principalmente para aqueles que optem ficar com o certificado até seu vencimento.

Outro atrativo do CRI é o fato de ser um produto isento de imposto de renda, o que faz com que a rentabilidade final seja a mesma oferecida inicialmente.

Do mesmo modo que ocorre com o CRA, a isenção é uma política utilizada pelo estado visando fomentar a entrada de capital no setor imobiliário.

Outra semelhança que existe entre os dois certificados é o fator de ambos não serem garantidos pelo FGC, o que é uma questão a se considerar.

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Vale investir em CRA e CRI

São investimentos com diversas semelhanças entre si, sendo que a principal distinção ficará por conta do setor no qual o investidor estará exposto.

Em suma, são investimentos interessantes e que se encaixam no perfil de diferentes investidores.

Além de serem produtos de renda fixa, o que gera certa segurança ainda que não garantidos pelo FGC, possuem rentabilidade melhor que muitos produtos similares.

Junto disso, é possível destacar que tanto o setor imobiliário quanto o do agronegócio são segmentos estáveis da economia nacional, se comparado com o restante.

Contudo, por vezes, estes produtos ficam de lado devido ao valor, o que faz com que não seja o tipo de investimento mais democrático do mercado.

Ainda assim, conhecer o funcionamento do CRA e CRI é importante para quem busca tanto realizar investimentos pessoais, quanto aquelas pessoas que buscam trabalhar com investimentos.

Guilherme Almeida
Guilherme Almeida
Bacharel em Economia e Especialista em Finanças Corporativas e Mercado de Capitais pelo Ibmec-MG. Mestrando em Estatística pela UFMG, atua como professor, palestrante e porta voz das áreas de economia e finanças, tendo concedido mais de mil entrevistas para os principais meios de comunicação. Atualmente, leciona matérias ligadas à Economia e ao Mercado Financeiro em cursos preparatórios para certificações financeiras, além de ser o Economista-Chefe do departamento de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG).

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