Marcação a mercado: saiba sobre este tipo de precificação

Marcação a mercado: saiba sobre este tipo de precificação
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Entre as diversas opções de investimentos que existem na bolsa de valores, os fundos de investimentos têm ganhando cada vez mais destaque entre os investidores do mercado, porém, nem todos conhecem a importância da marcação a mercado para essa área.

Assim, entender sobre a marcação a mercado é um passo importante para aqueles que buscam investir em fundos de investimentos e obter renda através deste produto financeiro, sendo um conhecimento útil inclusive para profissionais da área, como no caso do analista financeiro.

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O que é marcação a mercado

Marcação a mercado, também conhecida como mark to market (MTM), é uma forma de precificação de mercado voltada para avaliar o valor de mercado dos produtos que fazem parte de um fundo de investimento e títulos de renda fixa.

Ou seja, esta é a  marcação de ativo pelo valor de venda do mesmo, isto é, o dinheiro que seria possível ter de retorno, caso a venda fosse realizada naquele momento.

Assim, o preço do fundo de investimento vai refletir o custo que seus ativos possuem, sendo que para se chegar ao valor real destes ativos, é necessário considerar o MTM.

Fazendo assim com que as oscilações no valor do fundo de investimento sejam, em grande parte das vezes, normais.

Enquanto, para títulos de renda fixa, o mark to market serve especialmente para avaliar qual o valor de retorno que o investidor teria, caso optasse por resgatar o patrimônio investido antes do vencimento.

Além disso, vale considerar que este método de precificação possui maior utilidade para os produtos citados, porém, pode ser utilizado para todos os ativos negociados na bolsa de valores.

Dessa forma, a volatilidade será o principal fator de distinção nas análises, sendo comum que o valor para realizar a marcação a mercado costuma ser realizado após o fim do pregão.

Compreendido o conceito, é relevante entender como funciona o MTM.

Funcionamento do mark to market

Inicialmente, vale destacar que a marcação a mercado considera especialmente três fatores. São eles:

  1. Contexto econômico;
  2. Posicionamento do mercado;
  3. Novos títulos.

Em relação ao primeiro ponto, é possível encaixar diferentes pontos, como, por exemplo:

  • Mercado externo;
  • Taxa Selic;
  • Inflação;
  • Momento político nacional e internacional.

Enquanto, o segundo ponto é mais voltado para os posicionamentos que ocorrem entre os investidores da bolsa, isto é, o efeito manada a ocorrer sobre determinados ativos financeiros.

Por fim, o valor de novos títulos emitidos no mercado financeiro também é outro fator considerado por esta precificação de mercado.

Todavia, é importante destacar que esses fatores atingem de forma diferente os ativos de renda fixa e variável.

Dessa forma, é útil entender as particularidades do mark do market sobre estes dois tipos de produtos financeiros.

Renda fixa

Para ficar claro como funciona a marcação a mercado em renda fixa, pense na seguinte situação.

Imagine um investidor que investiu R$2000 em títulos do Tesouro Direto prefixado com taxa de 7% ao ano de remuneração.

Todavia, o Copom alterou a Selic de forma que aumentassem as taxas de juros do país, ocasionando em títulos com rentabilidade mais elevadas na comparação ao que o investidor havia alocado seu capital inicialmente.

Assim, com a marcação a mercado, a tendência é que seu o valor daquele título sofra queda.

Todavia, o movimento da Selic poderia ser contrário, com as taxas de juros sofrendo baixa.

Dessa forma, o título prefixado que o investidor possuía passa a ter maior valor.

Além disso, é possível destacar que as negociações envolvendo títulos de renda fixa também interferem em sua rentabilidade.

Sendo assim, o investidor que deseja resgatar o valor investido antes do final do contrato, deve se atentar sobre o momento de alta ou baixa que tal título está passando no período.

Portanto, é possível perceber que o objetivo da marcação a mercado em renda fixa é ajustar os valores do mercado frente a volatilidade constante do segmento.

Renda variável

Em ativos de renda variável é comum que o MTM apareça como a média entre as variações de valor que ocorrem ao longo de um pregão.

Todavia, é importante frisar que o preço “justo” sempre será relacionado à liquidez apresentada por determinado ativo.

Afinal, ativos que possuem uma liquidez baixa tendem a ser precificados de forma errada.

Dessa forma, para ativos que se encaixam neste perfil é necessário realizar uma estimativa acerca de qual seria seu valor real em uma negociação.

Além disso, vale ressaltar que o trabalho de divulgar como a marcação a mercado interferiu do fundo de investimento é tarefa do administrador, sendo que ele deve executar tal tarefa a cada pregão.

Assim, é possível entender o porquê deste recurso ser importante para que a avaliação sobre o preço de determinado produto do mercado financeiro seja feita corretamente.

Fatores que interferem na marcação a mercado

Marcação a mercado: saiba sobre este tipo de precificação

Como apontado anteriormente neste texto, a marcação a mercado pode acontecer de modo diferente para cada ativo financeiro.

Ainda assim, é possível destacar a liquidez e o tipo de rentabilidade como principais denominadores.

Portanto, é útil compreender separadamente como cada um destes pontos se faz presente no MTM.

Liquidez

Inicialmente, é importante reforçar que a liquidez é a velocidade com que se vende um ativo financeiro, transformando aquele título mobiliário em dinheiro.

Por exemplo, se uma ação teve um volume alto de negociações ao longo do pregão, indica que sua liquidez diária foi elevada.

Assim, é natural que a marcação a mercado ocorra respeitando as diferenças existentes entre a liquidez de cada ativo financeiro.

Ou seja, para investimentos com maior liquidez, a tendência é que o MTM aconteça de modo mais acelerado, baseando o valor final com o preço do fechamento do dia.

Enquanto, para investimento com menor liquidez, a tendência é que a marcação a mercado considere o preço justo daquele ativo, isto é, o montante pelo qual ele seria negociado naquele momento.

Produtos de renda fixa com lastro público tem seu mark to market divulgado pelo próprio Tesouro Direto.

Além disso, a principal expectativa acerca da variação destes investimentos é relacionada aos fatores macroeconômicos, como, por exemplo:

  • Taxa Selic;
  • Taxa DI;
  • Inflação;
  • Variação cambial.

Por sua vez, títulos de renda variável, como visto anteriormente, possuem a marcação a mercado divulgada por gestores.

Portanto, o investidor que possui, por exemplo, fundos em sua carteira de investimentos, deve se atentar a tais informações.

Afinal, é através deste acompanhamento que ele conseguirá analisar se o investimento está sendo um bom ou mau negócio no âmbito de rentabilidade e valorização.

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Tipo de rentabilidade

Por sua vez, o tipo de rentabilidade é outro fator que interfere diretamente no MTM de um ativo

Títulos de renda fixa com rentabilidade pós-fixada, por exemplo, têm seus preços ajustados a cada dia, sendo que o valor varia de acordo com a taxa indexada neles.

Imagine investimentos relacionados à taxa Selic, obviamente o mark to market será relacionado à variação da principal taxa de juros da economia nacional.

Dessa forma, a marcação a mercado no Tesouro Direto vai variar de acordo com as taxas de referência em produtos pós-fixados.

Nesse contexto, ganham destaque indexadores como o CDI e a Selic.

Por sua vez, o MTM dos investimentos prefixados ou relacionados à inflação vai variar de acordo com a expectativa do mercado com a Taxa Selic.

Assim, o Tesouro Selic a marcação a mercado tende a ser a variação que tal taxa teve, isto é, o valor dos títulos é definido pelo movimento de alta ou baixa que o ativo financeiro após reunião do Copom.

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Marcação a mercado em fundos de investimentos

Marcação a mercado: saiba sobre este tipo de precificação

O valor da cota de um fundo de investimento é definido pela divisão entre o número de cotas do fundo em questão e  o patrimônio líquido do mesmo.

Assim, é natural que tais cotas sejam marcadas, isto é, cada investidor de um fundo de investimento tem o direito de receber a remuneração que lhe é de direito no momento em que desejar.

Dessa forma, entre os objetivos da marcação a mercado está o de assegurar que ele receba o valor condizente com o número de cotas que possui, pois, o fundo está precificado de acordo com seu portfólio.

Além disso, o investidor receberá o valor referente ao mark to market do último dia antes da cotação do mercado.

Ou seja, é importante que o investidor tenha atenção no momento de solicitar o resgate, especialmente para não fazer o resgate em um período de baixa.

Especialmente porque este é um processo complexo, afinal precifica cada ativo de um fundo de investimento de modo proporcional.

Por fim, vale ressaltar que o MTM em fundos de investimentos tem como função assegurar a não existência de transferência de riqueza entre cotistas de um fundo de investimento.

Isto é, assegurar que ganhos e perdas que ocorrem de um fundo de investimento sejam direcionados apenas aos cotistas dele.

Fatores que fazem com que o investidor tenha maior controle acerca de sua posição em relação ao fundo de investimento que possui cotas.

Simultaneamente, o recurso do mark to market também é útil para investidores que desejam investir em fundos, pois, através desta precificação, é possível realizar a comparação entre produtos financeiros diferentes.

Portanto, considerar a marcação a mercado é um fator importante antes de realizar aportes em um fundo de investimentos.

Guilherme Almeida
Guilherme Almeida
Bacharel em Economia e Especialista em Finanças Corporativas e Mercado de Capitais pelo Ibmec-MG. Mestrando em Estatística pela UFMG, atua como professor, palestrante e porta voz das áreas de economia e finanças, tendo concedido mais de mil entrevistas para os principais meios de comunicação. Atualmente, leciona matérias ligadas à Economia e ao Mercado Financeiro em cursos preparatórios para certificações financeiras, além de ser o Economista-Chefe do departamento de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG).

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