Volatilidade: risco ou oportunidade nos investimentos?

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Investidores pelo mundo tendem a se preocupar muito com as oscilações de mercado nos preços dos ativos. Essa oscilação, conhecida como volatilidade, origina sentimentos diversos entre os agentes de mercado.

Nesse contexto, enquanto alguns entendem a volatilidade como o risco atrelado aos ativos, outros, como Warren Buffett a identificam como uma excelente oportunidade para alcançar lucros no longo prazo.

O que é Volatilidade?

Como forma de mensurar o risco dos ativos financeiros, os financistas tendem a usar a volatilidade como uma proxy, isto é, uma aproximação.

Nesse sentido, a volatilidade é um conceito retirado da estatística em que os analistas utilizam a dispersão dos retornos dos ativos para identificar qual o risco embutido neles.

Com isso, a análise da volatilidade busca encontrar as variações no preço dos ativos em um intervalo de tempo estabelecido e, dessa forma, quanto maior for a variação, maior será a volatilidade daquele ativo.

Em resumo, o cálculo da volatilidade tem como foco identificar qual é a intensidade e qual é a frequência das oscilações que a amostra de preços apresenta.

A volatilidade, portanto, pode ser encontrada para ativos como ações, fundos imobiliários, fundos de investimento e, até mesmo, ativos de renda fixa, principalmente os pré-fixados.

Importante salientar, que essa dispersão dos preços é encontrada via desvio padrão ou pela variância que ocorre nos retornos dos ativos.

Apesar de ser um indicador de risco e, muitas vezes ser um dos parâmetros utilizados para ficar longe de determinadas aplicações, a volatilidade pode ser muito benéfica, principalmente para quem opera opções no mercado financeiro.

Como funciona a volatilidade no mercado?

Tirando os retornos dos ativos, a volatilidade é uma das principais métricas que os investidores, gestores e analistas procuram identificar no momento de realizar ou não a alocação do seu capital.

Assim, principalmente quando falamos do mercado de renda variável, ela é extremamente utilizada. 


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Por ser uma componente que leva em conta as características e o histórico dos ativos, mas também outros impactos que não necessariamente tem relação com o mercado em que o ativo está inserido, cada uma das classes de produtos no mercado apresenta uma volatilidade esperada.

Essa volatilidade esperada está ligada à sua intensidade e não ao número em si do desvio padrão ou da variância. Assim, para ativos de renda variável a esperança de volatilidade é muito maior do que para ativos de renda fixa.

A volatilidade maior das ações, opções, fundos de investimentos em ações, entre outros, tem como principais causas fatores ligados à economia, política, variações do câmbio e impacto da política monetária adotada.

Tipos de Volatilidade

Uma vez que a volatilidade permite inferir sobre as oscilações de preço dos ativos presentes no mercado financeiro, ela pode ser dividida em três tipos:

  • Volatilidade Histórica;
  • Volatilidade Implícita;
  • Volatilidade Real.

Iniciando pela Volatilidade Histórica, pode-se defini-la como sendo aquela que os agentes de mercado já conhecem e têm acesso, uma vez que o seu cálculo é realizado com base nos preços passados dos ativos.

Nesse sentido, ela será calculada com base no preço médio daquele ativo e, quanto maior for essa variação, maior será a volatilidade do papel, sem que seja demonstrado para que lado é a variação.

Uma vez que se utilizam as cotações passadas, a volatilidade histórica pode ser utilizada como uma forma de mensurar a volatilidade futura, mas isso não quer dizer que ela irá se realizar.

A volatilidade implícita, por sua vez, é muito utilizada no mercado de derivativos, principalmente para a precificação de opções.

Nessa linha, ele tem como objetivo determinar qual será a oscilação de um papel no futuro, ou seja, ela tem relação com as expectativas do mercado.

Mesmo que seguindo linhas divergentes, a volatilidade implícita está intimamente relacionada à Volatilidade Histórica, visto que ela será projetada com base nos dados obtidos a partir da análise histórica.

Entretanto, mesmo que ela tenha como base a volatilidade que o ativo apresentou no passado, por conta das inúmeras variáveis que afetam as oscilações, ela pode não ocorrer.

Por fim, a volatilidade real, só poderá ser aplicada no momento presente, uma vez que a base para que seja possível mensurá-la é a verificação do preço do ativo no mercado futuro.

Assim, conforme explicado até aqui, a volatilidade é essencial para os traders dentro do mercado, os quais buscam nas oscilações e distorções de preços auferir lucros.


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Como calcular a volatilidade de um ativo?

A primeira etapa a ser definida para mensurar a volatilidade será definir qual o ativo será analisado, o período, que pode ser de um ano, seis meses ou um mês.

Posteriormente, para que seja possível calcular a volatilidade de uma ação, fundo imobiliário, título de renda fixa pré-fixado, entre outros, é necessário seguir um passo a passo:

  1. Obter a cotação do ativo que deseja analisar;
  2. Delimitar qual será o período de tempo de análise;
  3. Calcular qual foi a média de retorno dele no período;
  4. Com a média em mãos, calcular qual foi a variância amostral;
  5. Calcular o desvio padrão;
  6. Analisar os resultados e comparar com os demais ativos que estão na mesma classe e, também, no mesmo setor.

Com todas essas informações em mãos, é hora de colocar em prática o passo a passo para o cálculo da volatilidade.

Nesse sentido, partindo do retorno mensal do índice Bovespa durante o ano de 2021, tem-se: 

  1. Fevereiro – queda de -4,37%
  2. Março – alta de 6,00%
  3. Abril – alta de 1,94%
  4. Maio – alta de 6,16%
  5. Junho – alta de 0,46%
  6. Julho – queda de -3,94%
  7. Agosto – queda de -2,48%
  8. Setembro – queda de 6,57%
  9. Outubro – queda de 6,74%
  10. Novembro – queda de 1,53%
  11. Dezembro – alta de 2,85%

Com base nesses dados, tem-se como retorno médio a soma dos retornos dividido pelo número de observações, ou seja, 11. Assim, o retorno médio foi de -0,75%.

Agora, para calcular a variância, será necessário pegar cada um dos valores de retorno e subtrair a média, após isso elevar ao quadrado e somar tudo e dividir pelo número de amostras menos 1.

Realizando essa operação, tem-se como variância o valor de 2,12%.

Por fim, o desvio padrão será calculado a partir da raiz quadrada da variância, portanto, ao realizar a operação o valor para o desvio será de 1,45. 

Com isso, a oscilação que o índice Bovespa apresentou no período analisado foi de 0,66% a 3,57%.

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Como analisar a volatilidade de um ativo?

A análise a respeito da volatilidade pode ser realizada tanto pelo seu cálculo, conforme foi demonstrado anteriormente, quanto via alguns indicadores presentes no mercado financeiro.

Entre os indicadores que auxiliam a mensuração da volatilidade, seja de um ativo ou até mesmo de uma carteira, estão o índice Beta e o índice de Sharpe.

O índice Beta é utilizado para comparar a volatilidade de um ativo dada a sua comparação com um determinado benchmark, o que geralmente, no Brasil, é o Ibovespa.

Dessa maneira, se uma ação possui um Beta de 1,2 quer dizer que ela se movimenta/oscila, a cada mudança em uma unidade do Ibovespa, em 1,2 unidades, o que permite inferir que ela apresenta volatilidade maior do que a média do mercado.

Por outro turno, um Beta de 0,8 demonstra que o ativo se movimenta menos do que o índice de referência, visto que para cada unidade monetária que o Ibovespa movimenta, a ação se valoriza ou desvaloriza apenas em 0,8 unidades.

Já o índice de Sharpe, é uma forma de identificar a relação risco e retorno de uma ativo. Nesse contexto, ele é utilizado principalmente pelos fundos de investimento.

Sua função é demonstrar o quanto o fundo de investimento está gerando retorno adicional ao cotista, dado o risco tomado. Assim, quanto maior o índice, melhor será a relação entre o risco e o retorno da carteira.

Dessa maneira, além da opção de calcular a volatilidade de cada um dos ativos, o investidor pode recorrer aos índices presentes no mercado e, em relação ao Beta, é possível encontrá-lo em diversos sites de análise de ações.

Volatilidade é risco?

Provavelmente, a grande pergunta que fica após toda a análise em relação à volatilidade realizada até aqui é se ela é ou não é risco.

Quando se utiliza o Beta como proxy para a volatilidade e, portanto, o risco, é comum que ocorra um engano e os investidores assumam que a volatilidade de um ativo demonstra qual é o seu risco.

Entretanto, a volatilidade é apenas uma das componentes do risco, que está ligada às variações dos preços de mercado, faltando ainda os riscos ligados a imagem, crédito, mudanças macroeconômicas, políticas adotadas pelos governos, entre outras.

Nesse sentido, até mesmo o maior investidor dos últimos tempos, Warren Buffett, demonstra que o risco está ligado à possibilidade de perder capital de forma permanente, e a volatilidade é uma das maiores potencializadoras de resultados no longo prazo, pois com ela surgem oportunidades.

Portanto, apesar de muito difundida como risco, a volatilidade pode ser muito mais benéfica do que maléfica, principalmente quando está alinhada com a visão de longo prazo nos investimentos

Guilherme Almeida
Guilherme Almeida
Bacharel em Economia e Especialista em Finanças Corporativas e Mercado de Capitais pelo Ibmec-MG. Mestrando em Estatística pela UFMG, atua como professor, palestrante e porta voz das áreas de economia e finanças, tendo concedido mais de mil entrevistas para os principais meios de comunicação. Atualmente, leciona matérias ligadas à Economia e ao Mercado Financeiro em cursos preparatórios para certificações financeiras, além de ser o Economista-Chefe do departamento de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG).

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