Fundos Quantitativos: saiba sobre os investimento baseados em algoritmos

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O desenvolvimento da tecnologia possibilitou ao mercado financeiro agregar diversas áreas do conhecimento para otimizar a escolha de ativos. Nessa linha, os fundos quantitativos são os primeiros a alinharem investimento e tecnologia, no momento de montarem suas carteiras.

Assim, os fundos quantitativos buscam, por meio de algoritmos, desvendar assimetrias do mercado que o olhar humano nunca conseguiria enxergar, sem que seja necessário horas em frente a balanços e cotações das ações.

O que são os fundos quantitativos?

Os fundos quantitativos são conhecidos no mercado como “fundos quants”. Eles se caracterizam por ser uma classe de fundos que se baseia nas metodologias da análise quantitativa, ou seja, utilizam algoritmos para realizar a escolha dos ativos que irão compor sua carteira.

Desse modo, ao utilizar inteligência artificial, estes fundos buscam por assimetrias no mercado, com foco em ganhar com a arbitragem dos preços.

No Brasil, a utilização dessas metodologias ainda é pouco difundida, e existem poucos fundos que se enquadram nessa modalidade de investimentos, porém quando vamos para os Estados Unidos, o leque de opções fica enorme.

Assim, para que seja possível entender o que é um fundo quantitativo e identificar se é uma modalidade de investimento que se enquadra ao seu perfil, é necessário entender o seu funcionamento, vantagens e desvantagens, bem como os riscos desses fundos.

Como funciona um fundo quantitativo?

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A base do funcionamento dos fundos quantitativos está ligada ao sistema conhecido como Trade System (TS). Esse sistema tem como foco auxiliar nos cálculos e nos algoritmos de escolha de ativos.

Para que isso ocorra, o TS faz uma série de backtests com o intuito de validar as escolhas que os gestores realizaram.

Um exemplo claro de backtest, que pode ser realizado, é a escolha dos ativos com a menor relação entre preço e lucro, escolhidos no passado e acompanhar como a carteira com esses ativos se comportou ao longo de 5 ou 10 anos.

Assim, com esses resultados os gestores avaliam se vale ou não a pena adotar a estratégia para sua carteira e colocam o Trade System para rodar e encontrar essas ações, realizando compras e vendas periódicas. 

Dessa maneira, com a estratégia escolhida e o com o sistema automatizado, os gestores colocam o algoritmo para rodar, fazendo com que ele se torne o seu principal agente na gestão do fundo.

Importante lembrar, que toda essa estratégia dos fundos quantitativos está relacionada a uma premissa básica, comum a grande parte dos fundos, isto é, a de que existe um média de custos histórica para cada ativo e, que essa média tende a se estabilizar com o passar do tempo.

Assim, os algoritmos procuram por assimetrias e passam a operar diariamente, em pequenos volumes, a estratégia determinada.

Qual a classificação dos sistemas nos Fundos Quantitativos?

Existe, primordialmente, três classificações para os Fundos de Investimento Quantitativos:

  1. Sistema contínuo;
  2. Sistema intradiário puro;
  3. Sistema intradiário contínuo.

O primeiro sistema se caracteriza por ser uma forma de automatização que busca as assimetrias de forma diária e, em tempo real, no mercado, isto é, o algoritmo vasculha o mercado de forma contínua para que nenhum detalhe passe despercebido.

Já o sistema intradiário puro, como o próprio nome permite inferir, tem como premissa em seu algoritmo agir com base no horário de funcionamento dos mercados, portanto, ele abre e fecha operações no mesmo dia.

Assim, esse sistema busca encerrar suas posições antes mesmo do fechamento do mercado.

Por fim, o sistema intradiário contínuo, diverge do anterior no quesito fechamento das posições, uma vez que, não é regra para esse sistema fechar suas operações antes do mercado fechar. 

Dessa forma, ele irá realizar as suas operações no decorrer dos pregões, uma vez que existe uma grande chance de ocorrerem variações nas cotações dos ativos que poderão gerar, em certa medida, perdas máximas maiores do que aquelas estipuladas pelo backtest.


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Quais são os riscos dos fundos quantitativos?

Diferentemente dos demais fundos de investimento disponíveis e conhecidos no Brasil, os Fundos de Investimento Quantitativos apresentam um controle muito rígido em relação ao tamanho de sua exposição em cada ativo e em cada classe de ativo.

Dessa forma, a sua exposição tende a ser bem menos concentrada quando comparada aos fundos tradicionais, mas sem que ela fique pulverizada.

Isso ocorre, uma vez que de forma divergente ao que ocorre nos demais fundos, onde analistas buscam entender desde o balanço até as perspectivas de cada empresa, o que lhes limita a um horizonte pequeno de empresas, os algoritmos do fundo conseguem analisar uma gama superior de empresas.

Com isso e, alinhado aos modelos matemáticos pré-estabelecidos no algoritmo, os gestores de fundos quantitativos conseguem diversificar a carteira de forma ampla, fazendo com que a administração dos riscos se torne menos problemática.

Entretanto, apesar de apresentarem uma maior diversificação e modelos que buscam por assimetrias, sempre ponderando o risco, essa modalidade de fundo não está imune das variações do mercado, portanto, do mesmo modo que os demais fundos comercializados no mercado, estão expostos ao risco não diversificável.

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Quais os fundos quantitativos disponíveis no mercado?

Agora que já se sabe o que são os fundos quantitativos, como eles funcionam e quais são os seus riscos, é hora de saber quais são os Fundos Quantitativos no Brasil.

Conforme explicado no início, os fundos quantitativos ainda são pouco difundidos no Brasil, mas é importante lembrar que eles já são muito utilizados nos Estados Unidos, tendo como um dos expoentes Jim Simons.

No Brasil, existem duas gestoras que adotam em 100% de seu portfólio estratégias quantitativas, sendo elas a Giant Steps e a Kadima.

Assim, entre os Fundos de Investimento Quantitativos disponíveis no Brasil, tem-se:

  • Mauá Capital Machine-D FIM;
  • Seival FGS Agressivo FIM;
  • Giant Sigma FIC de FIM;
  • Giant Axis FIC FIM;
  • NCH Maracanã FIA;
  • Constância Fundamento FIA;
  • Quantitas FIM Galapagos;
  • Quantitas FIC FIM Mallorca;
  • Kadima II FIC FIM;
  • Murano FIC FIM.

Conclusão

Os fundos quantitativos, de modo geral, são alocados na modalidade fundos multimercados, o que faz com que suas taxas de administração fiquem por volta dos 2% ao ano.

Apesar de possuírem a possibilidade de retornos negativos, grande parte desses fundos quantitativos alcançam retornos acima do CDI e, tem como principal vantagem, quando comparado aos demais, sua maior diversificação e uma elevada descorrelação com o mercado tradicional.

 

Guilherme Almeida
Guilherme Almeida
Bacharel em Economia e Especialista em Finanças Corporativas e Mercado de Capitais pelo Ibmec-MG. Mestrando em Estatística pela UFMG, atua como professor, palestrante e porta voz das áreas de economia e finanças, tendo concedido mais de mil entrevistas para os principais meios de comunicação. Atualmente, leciona matérias ligadas à Economia e ao Mercado Financeiro em cursos preparatórios para certificações financeiras, além de ser o Economista-Chefe do departamento de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG).

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