Reeducação financeira: veja como ela pode transformar sua vida

Reeducação Financeira: Veja Como Ela Pode Transformar Sua Vida
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A reeducação financeira é um dos alicerces para a constituição da saúde integral de alguns indivíduos. Ou seja, é somente a partir de uma nova postura em relação ao uso do dinheiro que eles podem, verdadeiramente, considerarem-se plenos de bem-estar físico e mental.

Sabemos que, no Brasil, uma particularidade torna essa reeducação financeira quase como um desafio intransponível. Em primeiro lugar, devido ao fato de pagarmos bem mais pelos produtos de primeira necessidade em comparação a outros países. E, em segundo lugar, por não recebermos, como eles, o preço justo pelos nossos tão suados esforços.

O que é reeducação financeira?

Reeducação financeira é o ato de reaprender a usar o dinheiro de forma eficaz.

De acordo com o Michaelis, reeducar é o ato de:

  • “Tornar a educar”;
  • “Rever ou aperfeiçoar a educação”;
  • “Reabilitar através da educação”.

O curioso é que, em Medicina, reeducação tem a ver com a “cura de um doente”, ou seja, somente por meio de técnicas e de exercícios específicos torna-se possível recuperar hábitos perdidos.

O que significa dizer que o colapso financeiro pessoal, muitas vezes, tem a ver com algumas contingências da vida – alguns desvios no caminho.

Assim sendo, algo mais do que simplesmente força de vontade, terá que, necessariamente, ser colocado em prática por quem quer que realmente deseje adquirir essa tão sonhada saúde financeira.

E como uma definição um pouco mais complexa desse distúrbio, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) define a educação financeira de forma bastante categórica.

Em síntese, de acordo com o órgão, ela é um “processo no qual o indivíduo deixa de consumir por impulso e de forma inconsciente”.

Dessa forma, ele passa a cercar-se de todo o instrumental necessário (informação e conhecimento) para melhor utilizar o seu dinheiro. Assim, torna-se senhor dos seus próprios desejos e assume, efetivamente, o controle das suas necessidades.

Como conseguir, na prática, organizar a vida financeira?

Antes de mais nada, é preciso que você saiba que todo indivíduo, guardadas as suas diferenças e peculiaridades, deveria passar, ao longo de sua vida, por 3 fases de uma jornada financeira:

  1. A fase da segurança financeira (ou dos sonhos): nessa fase, somos ainda aprendizes nesse universo das finanças. Com efeito, não temos qualquer condição de realizar sonhos que envolvam dinheiro, por isso, nos restringimos apenas ao que nos dá segurança e garante a nossa sobrevivência;
  2.  A fase da independência financeira (começamos a ganhar muito dinheiro!): é a fase na qual, enfim, podemos guardar ou acumular bastante recurso. Nesse ínterim, passamos a ditar as regras para a satisfação dos nossos desejos, não dependemos de ninguém para sobreviver e até podemos nos dar a alguns luxos;
  3.  A fase da liberdade financeira (é hora de gastar como quiser!): por fim, ao menos em tese, esse deveria ser o estágio final que todos nós mereceríamos alcançar. Ou seja, o dinheiro não é mais um problema. Não precisamos mais nos preocupar com ele. E agora podemos nos dar ao luxo de algumas extravagâncias e mesmo assim nos mantermos com a nossa saúde financeira.

Mas o problema é que a maioria das pessoas para justamente no primeiro estágio – na fase dos sonhos. E é aí que entram algumas práticas que podem ser decisivas para reverter esse quadro.

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As melhores práticas para quem deseja iniciar a sua reeducação financeira pessoal

De acordo com dados mais recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, 7 entre 10 brasileiros estão endividados.

São dívidas com cartões de crédito, cheque especial, empréstimos, carnês, entre outros compromissos essenciais à manutenção de um indivíduo ou família.

E dentre as principais maneiras de evitar fazer parte dessa terrível estatística, a maioria dos especialistas recomenda algumas práticas razoavelmente simples:

1. Tente gastar menos do que ganha

Sabemos que essa não é uma tarefa das mais fáceis, principalmente quando levamos em consideração os custos de vida no país.

Só para que você tenha uma ideia do que estamos falando, calcula-se que um norte-americano, por exemplo, gaste não mais do que 10 ou 15% da sua renda média com as necessidades básicas. Enquanto isso, dificilmente um brasileiro, em qualquer região do país, consegue gastar menos do que 40% com essas mesmas necessidades.

Logo, percebe-se que, para o brasileiro, não há como melhorar financeiramente sem enfrentar uma missão quase hercúlea. Por isso, como uma boa dica financeira, os grandes especialistas em finanças recomendam que um indivíduo tente viver sempre um degrau abaixo do que acha que merece.

Dessa forma, será mais fácil atingir o 3º estágio de uma trajetória financeira. E, o melhor, manter-se solidamente firme e seguro quando chegar lá.

2. Uma reeducação financeira com base em metas

Esse é quase um mantra e uma das maneiras mais seguras de melhorar a sua vida financeira.

Traçar metas significa estar sempre disposto a colocar no papel tudo o que você precisa fazer para alcançar um determinado objetivo.

E diversos estudos comprovam que o simples ato de colocar fisicamente no papel um determinado plano faz com que uma espécie de gatilho mental quase infalível seja acionado. A partir de então, a sua mente passa a tomar essas anotações verdadeiras obrigações.

3. Procure ganhar mais dinheiro

Dentre as dicas financeiras, esse é um clássico na opinião dos especialistas que tratam de auxiliar um indivíduo em seu laborioso processo de organizar as suas finanças.

Isso porque uma das maneiras mais rápidas de quitar dívidas – e, concomitantemente a isso, permitir-se algumas extravagâncias – é aumentando substancialmente a renda percebida.

E aqui o que a experiência nos revela é que os limites para essa busca por um aumento de renda deverão ser apenas a honestidade e a utilidade do trabalho.

Portanto, se tiver que empreender, empreenda! Se tiver que vender salgados e bijuterias, venda-os!

Ademais, essa também é uma das maneiras de nos desvencilharmos de alguns padrões impostos pela sociedade. E, entre eles, o fato de que algumas funções seriam supostamente inferiores a outras.

4. Aprenda a poupar

Sabemos que não é tão fácil assim poupar quando se recebe, em média, menos do que é necessário para sobreviver. No entanto, é somente através do hábito de poupar que um indivíduo consegue, mesmo com uma baixa renda, realizar alguns sonhos.

E a dica aqui são os fundos de renda-fixa ou variáveis. Eles são bons porque você não terá como retirar o dinheiro na primeira tentação.

Porém, você também poderá experimentar algumas técnicas psicológicas como, por exemplo, ludibriar o seu cérebro e escolher uma ou outra cédula específica a qual, como um curioso estratagema, não terá o direito de gastar.

Assim, por meio de uma reeducação financeira aqui, uma estratégia psicológica acolá, você terá condições de lançar mão de outros bons hábitos. Por exemplo, quitar as suas dívidas em sua totalidade, comprar à vista, fazer uma reserva de oportunidades, entre outras maneiras de impedir que a sombra nefasta do endividamento volte a lhe assustar.

Guilherme Almeida
Guilherme Almeida
Bacharel em Economia e Especialista em Finanças Corporativas e Mercado de Capitais pelo Ibmec-MG. Mestrando em Estatística pela UFMG, atua como professor, palestrante e porta voz das áreas de economia e finanças, tendo concedido mais de mil entrevistas para os principais meios de comunicação. Atualmente, leciona matérias ligadas à Economia e ao Mercado Financeiro em cursos preparatórios para certificações financeiras, além de ser o Economista-Chefe do departamento de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG).

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