Análise Fundamentalista: o que é e como se tornar um analista?

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Na busca pelo sucesso no mundo dos investimentos, muitas estratégias são recomendadas por analistas de investimentos. Mas uma delas é praticamente unânime entre os estudiosos da área: a análise fundamentalista.

A análise fundamentalista consiste em uma série  de interpretações sobre importantes indicadores e características do negócio para definir se vale a pena investir naquela empresa ou não.

  1. O que é a análise fundamentalista?
  2. Como funciona a análise fundamentalista?
  3. Principais indicadores da análise fundamentalista
  4. Como se tornar um analista: o que devo saber e fazer?

O que é a análise fundamentalista?

A análise fundamentalista é um tipo de estudo que considera a saúde financeira, econômica e setorial de uma empresa para definir se o investimento na mesma faz sentido ou não. Um dos principais objetivos da análise fundamentalista é conseguir entender os melhores momentos para adquirir bons ativos para conseguir o melhor retorno possível a longo prazo.

Logo, a análise fundamentalista estuda o valor de uma empresa, e não a cotação do momento daquele ativo. Por isso, se trata de uma estratégia de investimentos totalmente contrária à lógica especulativa.

Basicamente, esta análise tem a finalidade de determinar bons preços para adquirir ações e, mais importante ainda, em quais ações vale a pena investir, sobretudo com foco no longo prazo.  Algumas ferramentas são indispensáveis para o analista fundamentalista na hora de avaliar empresas, como:

  • balanço patrimonial das empresas;
  • indicadores financeiros;
  • evolução dos resultados do negócio;
  • indicadores macroeconômicos e setoriais.

Assim, é possível concluir se é possível esperar um futuro de crescimento para o negócio e, consequentemente, de valorização para quem comprar ações da empresa. Esse tipo de análise é muito utilizada por investidores simpatizantes do Value Investing.

Compreender bem o conceito de análise fundamentalista é essencial para um profissional que trabalha com investimentos. Seja ele um analista ou um consultor de investimentos.

Como funciona a análise fundamentalista?

Como dito anteriormente, uma série de ferramentas (ou fundamentos) são utilizados para a análise fundamentalista. Portanto, para entender como funciona a análise fundamentalista, é indispensável compreender a divisão dessa estratégia sobre 2 aspectos: micro e macroeconomia.

A microeconomia refere-se a questões intrínsecas da empresa e a situação dos seus concorrentes. Portanto, os principais fatores microeconômicos para a análise fundamentalista são:

  • gestão da empresa: análise sobre os responsáveis pelas principais tomadas de decisões dentro da companhia;
  • insumos e bens de produção: análise sobre os custos do negócio e, consequentemente, margens de lucro da empresa;
  • análise de concorrência: comparar resultado e os próprios indicadores com empresas que concorrem o mesmo mercado.

Contudo, questões exógenas às empresas não podem ser deixadas de lado. Afinal, a empresa depende muito do ambiente no qual está inserida. Portanto, entre os principais fatores macroeconômicos para a análise fundamentalista estão:

  • taxa de juros: sobre a ótica do investimento, determina o piso do rendimento esperado pelos empresários. Ou seja, quanto menor, melhor será para os investimentos em empresas;
  • inflação: a inflação é o aumento geral do nível de preços. Em situações de descontrole inflacionário, alguns setores são fortemente prejudicados;
  • PIB: o PIB mede o nível da atividade econômica em determinado país. Crescimentos ou expectativas positivas relacionadas ao PIB, são bons para o ambiente de negócios como um todo.

Principais indicadores da análise fundamentalista

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É interessante conhecer quais são os principais indicadores utilizados para que a análise fundamentalista seja feita. Lembrando que não são apenas estes indicadores que permitirão uma análise precisa. É necessário conhecer bem a empresa como um todo.

Entre os principais indicadores fundamentalistas, estão:

Índice P/L

O Preço/Lucro, ou somente P/L, é o indicador mais comumente usado para avaliar o quão atrativo está o preço de uma ação no mercado se comparado ao preço de ações de outras empresas do mesmo setor.

  • P/L = Preço da Ação/Lucro por Ação (LPA)

Em geral, se o resultado do cálculo que resulta no P/L é baixo, a ação está com preço atrativo no mercado, ou seja, ela está barata.

  • P/VPA

O P/VPA é o indicador que nos mostra quanto o investidor está disposto a pagar pelo ativo. Quanto mais elevado o indicador, mais cara a ação.

  • P/VPA = Preço da Ação/Valor Patrimonial da Ação (VPA);
  • VPA = Patrimônio Líquido/Número total de ações

EBTIDA

O EBTIDA, sigla em inglês para Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization é o índice que ajuda a analisar o desempenho operacional da empresa mensurando sua produtividade e eficiência dentro do setor de atuação.

Embora muitas empresas usem o termo Ebitda em suas demonstrações, algumas adotam sua tradução para o português, LAJIDA, sigla para Lucro Antes do Juros, Impostos, Depreciação e Amortização.

A fórmula para calcular o Ebitda/LAJIDA é a seguinte:

  • EBITDA = Lucro Operacional Líquido antes dos Impostos + Depreciação + Amortização + Juros

DY

O Dividend Yield (DY) é outro importante indicador da análise fundamentalista, sobretudo para investidores que buscam aplicações com foco em dividendos.

Ele mostra ao analista o retorno em proventos que determinado dividendo gerou nos últimos 12 meses com base em cotações atuais. Para calcular o DY o analista deve usar a seguinte fórmula:

  • Dividend Yield = Dividendos pagos nos últimos 12 meses/Preço da ação

Outros importantes indicadores

Além dos indicadores introduzidos, vários outros são essenciais para a análise fundamentalista. Portanto, alguns indicadores que vale a pena pesquisar e conhecer mais a fundo, são:

  • ROIC;
  • ROE;
  • Margem líquida;
  • Margem EBTIDA.

Além disso, é muito útil estar atento ao preço de commodities e a indicadores macroeconômicos, como a taxa de juros previamente citada.

Como se tornar um analista: o que devo saber e fazer?

Para se tornar um analista de investimento no Brasil, independente da lógica utilizada, é necessário obter a certificação CNPI.

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A Certificação Nacional do Profissional de Investimento (CNPI) é emitida pela Apimec, que é a mais importante associação de investidores e analistas no país. Ter esse tipo de certificação, além de ser essencial para o desempenho lícito da função, prepara o investidor para conseguir aconselhar e levar outros investidores a atingirem bons resultados.

Para isso, o profissional deve se submeter a uma prova de 60 questões que deve ser realizada em no máximo 2 horas, cobrindo assuntos que vão desde técnicas de investimentos até conduta e relacionamento com clientes. O candidato deve acertar, no mínimo, 40 questões para conseguir emitir a sua certificação.

Após emitir a certificação, o investidor já estará apto, de acordo com a CVM, para atuar como analista de investimentos. Portanto, para quem deseja ser analista de investimentos, conhecer a fundo a análise fundamentalista é essencial para ser um profissional diferenciado, que leva seus clientes a bons resultados em suas aplicações.

Guilherme Almeida
Guilherme Almeida
Bacharel em Economia e Especialista em Finanças Corporativas e Mercado de Capitais pelo Ibmec-MG. Mestrando em Estatística pela UFMG, atua como professor, palestrante e porta voz das áreas de economia e finanças, tendo concedido mais de mil entrevistas para os principais meios de comunicação. Atualmente, leciona matérias ligadas à Economia e ao Mercado Financeiro em cursos preparatórios para certificações financeiras, além de ser o Economista-Chefe do departamento de Estudos Econômicos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG).

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